O amor não passa ileso
pelos caminhos do mundo.
Por onde anda,
deixa sinais discretos,
como pegadas na areia
que a maré demora a apagar.
Há marcas que se tornam sorriso,
outras viram saudade,
algumas repousam silenciosas
nos cantos da memória.
Quem amou uma vez
jamais retorna inteiro.
Leva consigo vozes,
rostos,
abraços,
dias comuns
que o tempo transformou em tesouro.
O amor grava sua história
em lugares improváveis:
na música que toca ao acaso,
na rua por onde se passou,
no perfume esquecido de uma estação,
na fotografia amarelada dos anos.
Nem todas as marcas do amor
são felizes.
Algumas doem.
Mas até a dor testemunha
que houve encontro,
que houve entrega,
que algo floresceu
entre dois instantes da existência.
E quando os anos avançam,
descobre-se que a vida
não é feita apenas do que se conquistou,
mas também do que se guardou.
Porque o amor verdadeiro,
mesmo quando muda de forma,
não desaparece.
Transforma-se em lembrança,
em aprendizado,
em ternura,
em gratidão.
E segue vivendo,
como uma luz discreta,
nas marcas que deixou
ao passar pelo coração.
