Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2

A paz de aceitar o que não se pode mudar

Há batalhas

que podem ser vencidas.

E há batalhas

que apenas nos ensinam
a soltar as armas.

Durante muito tempo,

o coração insiste.

Tenta corrigir o passado.

Reescrever palavras.

Impedir partidas.

Alterar escolhas
que já seguiram seu caminho.

Mas o tempo não volta.

As estações não recuam.

Os rios não retornam
à nascente.

E lutar contra certas verdades

é como tentar conter o mar
com as próprias mãos.

Quanto mais força se faz,

mais exausta fica a alma.

Há uma tristeza silenciosa

em descobrir
que nem tudo depende de nós.

Que nem todo amor permanece.

Que nem todo sonho floresce.

Que nem toda ferida
recebe explicação.

Mas existe também
uma liberdade escondida
nessa descoberta.

Porque quando se aceita
o que não pode ser mudado,

deixa-se de carregar pesos
que nunca pertenceram aos próprios ombros.

A chuva continua caindo.

O vento continua soprando.

As pessoas continuam fazendo escolhas.

E a vida continua seguindo
seu curso misterioso.

Não significa desistir.

Nem deixar de sentir.

Nem fingir
que a dor não existe.

Significa compreender

que algumas portas
foram feitas para se fechar.

Que alguns ciclos
precisam terminar.

Que certas respostas
talvez nunca cheguem.

E, ainda assim,

é possível seguir adiante.

A paz não nasce
quando tudo acontece
como desejávamos.

Nasce quando deixamos de exigir
que a realidade
se curve à nossa vontade.

Nasce quando paramos
de discutir com o passado.

Quando soltamos
aquilo que não pode voltar.

Quando fazemos as pazes
com a imperfeição da vida.

Então, devagar,

o coração respira diferente.

O peso diminui.

O silêncio deixa de ser inimigo.

E aquilo que parecia derrota

revela-se sabedoria.

Porque aceitar
o que não se pode mudar

não é perder a esperança.

É encontrar serenidade.

É olhar para o que ficou para trás
sem revolta.

É olhar para o que virá
sem medo.

E compreender, por fim,

que algumas das maiores demonstrações
de força

não estão em resistir.

Estão em soltar.

E caminhar em paz. 

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