Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2

A vida que imaginamos e a vida que vivemos

Quando somos jovens,

desenhamos a vida
como quem desenha um mapa.

Traçamos caminhos retos.

Escolhemos destinos.

Marcamos encontros,
conquistas,
dias felizes.

Tudo parece claro.

Tudo parece possível.

E talvez seja justamente por isso
que os sonhos brilham tanto.

Porque ainda não conhecem
os desvios da estrada.

Mas a vida,

essa viajante imprevisível,

raramente segue
o roteiro que imaginamos.

Ela dobra esquinas
que não estavam no mapa.

Fecha portas
que pareciam destinadas a permanecer abertas.

Abre outras
que jamais pensamos atravessar.

Há amores
que não duram o tempo esperado.

Há despedidas
que chegam sem aviso.

Há perdas
que mudam para sempre
a paisagem da alma.

E há também encontros,

pequenos milagres
que nunca ousamos sonhar.

Por muito tempo,

olhamos para aquilo
que não aconteceu.

Para os planos interrompidos.

Para os caminhos abandonados.

Para a vida que imaginamos viver.

E sentimos saudade
de algo que nunca existiu.

Mas os anos ensinam
uma verdade delicada.

A vida real
não é uma versão menor
da vida sonhada.

É apenas diferente.

Os sonhos conheciam a esperança.

A realidade ensina a profundidade.

Os sonhos imaginavam felicidade.

A realidade apresenta significado.

Os sonhos queriam perfeição.

A vida oferece humanidade.

E pouco a pouco,

o coração aprende
a olhar ao redor.

A enxergar as pessoas
que ficaram.

As histórias que nasceram.

As alegrias inesperadas.

Os recomeços
que surgiram depois das tempestades.

Então algo muda.

Já não se compara
o que existe
com aquilo que poderia ter sido.

Passa-se a agradecer.

Não porque tudo foi fácil.

Não porque tudo aconteceu
como desejávamos.

Mas porque, apesar de tudo,

houve amor.

Houve crescimento.

Houve aprendizado.

Houve vida.

A vida que imaginamos
era feita de possibilidades.

A vida que vivemos
é feita de experiências.

Uma habitava os sonhos.

A outra habita a realidade.

E talvez a sabedoria chegue

quando compreendemos
que não precisamos escolher entre elas.

Porque a pessoa que sonhou

e a pessoa que se tornou

continuam caminhando juntas,

lado a lado,

na mesma história.

E ao olhar para trás,

com ternura e sem arrependimento,

a alma finalmente sorri.

Pois descobre que a vida perfeita
nunca existiu.

Mas a vida vivida,

com suas perdas,
suas surpresas,
suas cicatrizes
e suas alegrias,

foi, afinal,

muito mais rica
do que qualquer sonho
poderia imaginar. 

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