Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2

O que restou dos sonhos da juventude

Houve um tempo

em que o futuro parecia infinito.

Os dias eram largos.

As possibilidades,
incontáveis.

Bastava fechar os olhos

e a vida inteira cabia
dentro de um sonho.

Havia estradas a percorrer.

Lugares a conhecer.

Amores a encontrar.

Conquistas que pareciam
apenas uma questão de tempo.

Naqueles dias,

o coração acreditava
que tudo seria possível.

E talvez fosse.

Mas a vida,

como os rios,

raramente segue o curso
que imaginamos.

Vieram escolhas.

Despedidas.

Responsabilidades.

Tempestades inesperadas.

Alguns sonhos floresceram.

Outros permaneceram sementes.

Alguns caminhos se abriram.

Outros desapareceram
antes mesmo de serem percorridos.

E então os anos passaram.

Silenciosos.

Firmes.

Implacáveis.

Até que um dia,

ao olhar para trás,

surge a pergunta:

o que restou
dos sonhos da juventude?

À primeira vista,

talvez pareça que pouco.

Afinal,

nem todos os planos aconteceram.

Nem todas as promessas se cumpriram.

Nem todas as expectativas
encontraram morada na realidade.

Mas o tempo possui
uma maneira diferente de contar histórias.

Porque os sonhos
nem sempre desaparecem.

Às vezes,

transformam-se.

O desejo de conquistar o mundo
torna-se o desejo
de encontrar paz.

A busca por grandiosidade
transforma-se em gratidão
pelas coisas simples.

A urgência de chegar
transforma-se na sabedoria
de apreciar a caminhada.

Os sonhos da juventude
raramente permanecem iguais.

Mas deixam heranças.

Coragem.

Esperança.

Capacidade de acreditar.

E mesmo aqueles
que nunca se realizaram

ajudaram a construir
a pessoa que atravessou os anos.

Talvez o verdadeiro milagre

não seja ter alcançado
tudo o que se sonhou.

Mas continuar sonhando.

Mesmo depois das quedas.

Mesmo depois das perdas.

Mesmo depois de descobrir
que a vida é muito mais complexa
do que parecia.

Há uma beleza serena

em olhar para o passado
sem amargura.

Em agradecer pelos caminhos percorridos.

Pelos erros que ensinaram.

Pelos encontros que transformaram.

Pelas alegrias que permaneceram.

E pelas dores
que não conseguiram apagar a esperança.

Porque no fim,

o que restou dos sonhos da juventude

não foram apenas os que se realizaram.

Foram também
as marcas que deixaram.

As lições que trouxeram.

E a chama silenciosa
que continua acesa

lembrando ao coração

que nunca é tarde demais
para sonhar de novo. 

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