Há despedidas
que acontecem sem partida.
Corpos que permanecem,
vozes que ainda respondem,
rostos que ainda cruzam os dias,
mas algo essencial
já não habita o mesmo lugar.
São ausências sem funeral,
silêncios sem túmulo,
lágrimas que não encontram nome.
A vida segue,
como se nada tivesse mudado.
E, no entanto,
um mundo inteiro desapareceu.
Há quem se perca nos próprios caminhos,
quem se afaste por escolhas,
por feridas,
por distâncias invisíveis.
Há quem permaneça perto
e, ainda assim,
torne-se inalcançável.
O coração aprende então
uma forma estranha de saudade:
sentir falta
de quem ainda respira o mesmo ar.
Não há flores,
nem cerimônias.
Apenas a lenta compreensão
de que certas histórias
não terminam de repente.
Desfazem-se aos poucos,
como uma fotografia antiga
que o tempo vai apagando.
Mas até mesmo esse luto
guarda uma semente.
Porque amar
nem sempre é possuir presença.
Às vezes,
é agradecer pelo que foi,
honrar o que existiu
e libertar o que não pode permanecer.
E assim,
entre a memória e o silêncio,
a alma encontra coragem
para seguir adiante,
levando consigo
não a dor da perda,
mas a beleza
de tudo aquilo
que um dia foi amor.
