As árvores não têm pressa.
Conhecem o segredo das estações,
a linguagem da chuva
e o silêncio das madrugadas.
Não disputam espaço com o céu,
nem invejam o voo dos pássaros.
Basta-lhes crescer.
Quando o vento chega,
não o enfrentam.
Curvam-se.
E é justamente por isso
que permanecem de pé
quando tantas coisas tombam.
Perdem folhas sem desespero,
pois sabem que nenhuma despedida
é definitiva.
O inverno passa.
Sempre passa.
As raízes, invisíveis aos olhos,
sustentam aquilo
que o mundo admira.
Talvez esteja aí
a sua maior lição:
fortalecer primeiro o que ninguém vê.
Há árvores que viveram séculos,
testemunhas de amores,
guerras,
partidas e reencontros.
E, no entanto,
continuam oferecendo sombra
até mesmo a quem jamais as plantou.
Sem exigir aplausos.
Sem pedir recompensa.
A verdadeira grandeza
não está na altura dos galhos,
mas na generosidade da sombra.
Quem aprende com as árvores
descobre que viver bem
não é florescer o tempo todo.
É confiar nas raízes,
acolher as mudanças
e permanecer fiel à própria essência,
mesmo quando o mundo inteiro
parece mudar de direção.
