Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2

Plenitude

Não chegou com trombetas,
nem pediu lugar à mesa.

Veio mansa,
como a sombra da tarde
que repousa sobre os campos
depois da colheita.

Não trouxe promessas,
nem sonhos dourados.

Trouxe apenas o silêncio
de quem já compreendeu
que a felicidade verdadeira
não faz barulho.

Houve tempestades,
portas fechadas,
estradas perdidas na neblina.

Mas cada queda deixou um sulco,
e cada sulco guardou uma semente.

Hoje, o vento passa
e encontra raízes.

A chuva desce
e encontra terra fértil.

O tempo segue,
e já não é inimigo.

É companheiro.

Plenitude talvez seja isso:

não possuir o mundo,
mas habitar o próprio coração
sem medo.

Olhar o horizonte
sem exigir respostas.

Agradecer a luz,
acolher a sombra,

e compreender, por fim,

que a vida floresce inteira
quando a alma aprende
a descansar em si mesma.

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