Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2

Névoa

A névoa não chega com alarde.

Desce devagar sobre os campos,
apaga contornos,
silencia distâncias
e transforma o conhecido
em mistério.

Sob seu véu,
os caminhos parecem desaparecer.

As montanhas somem,
as estradas hesitam,
e os olhos procuram,
em vão,
aquilo que antes era tão claro.

Mas a névoa não destrói.

Apenas esconde.

O rio continua correndo,
a árvore permanece de pé,
o horizonte ainda existe
além do que não se vê.

Talvez a vida seja assim
em certos dias.

Há momentos
em que as certezas se recolhem,
os sonhos se afastam
e o futuro se torna uma paisagem branca
sem direção aparente.

Nessas horas,
não é preciso enxergar o destino.

Basta dar o próximo passo.

A névoa tem seus ensinamentos.

Ela lembra
que nem tudo precisa ser revelado de uma vez,
que a pressa não ilumina caminhos
e que a confiança
é uma forma de coragem.

Porque, cedo ou tarde,

o sol encontra uma fresta,
a luz rompe o silêncio,
e aquilo que parecia perdido

surge novamente diante dos olhos.

Então compreende-se:

o caminho nunca desapareceu.

Apenas aguardava,
paciente,
do outro lado da névoa.

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