A névoa não chega com alarde.
Desce devagar sobre os campos,
apaga contornos,
silencia distâncias
e transforma o conhecido
em mistério.
Sob seu véu,
os caminhos parecem desaparecer.
As montanhas somem,
as estradas hesitam,
e os olhos procuram,
em vão,
aquilo que antes era tão claro.
Mas a névoa não destrói.
Apenas esconde.
O rio continua correndo,
a árvore permanece de pé,
o horizonte ainda existe
além do que não se vê.
Talvez a vida seja assim
em certos dias.
Há momentos
em que as certezas se recolhem,
os sonhos se afastam
e o futuro se torna uma paisagem branca
sem direção aparente.
Nessas horas,
não é preciso enxergar o destino.
Basta dar o próximo passo.
A névoa tem seus ensinamentos.
Ela lembra
que nem tudo precisa ser revelado de uma vez,
que a pressa não ilumina caminhos
e que a confiança
é uma forma de coragem.
Porque, cedo ou tarde,
o sol encontra uma fresta,
a luz rompe o silêncio,
e aquilo que parecia perdido
surge novamente diante dos olhos.
Então compreende-se:
o caminho nunca desapareceu.
Apenas aguardava,
paciente,
do outro lado da névoa.
