Sentadas diante do mar,
duas almas observavam
o mesmo horizonte,
mas cada uma carregava
tempestades diferentes.
As ondas chegavam,
tocavam a areia
e voltavam para o infinito,
como pensamentos
que visitam o coração
antes de partir.
Nenhuma palavra era necessária.
Há silêncios
que conversam melhor
do que longos discursos.
O vento passava leve,
desfazendo preocupações,
espalhando lembranças
sobre a superfície da água.
Uma alma trazia cicatrizes.
A outra também.
E talvez tenha sido isso
que as aproximou.
Não a perfeição,
mas a coragem
de continuar apesar dela.
O mar seguia seu ofício antigo,
lembrando que tudo muda:
as marés,
as nuvens,
os dias felizes
e os dias difíceis.
Mas havia algo que permanecia.
A presença.
O simples fato
de compartilhar o mesmo instante,
o mesmo pôr do sol,
o mesmo rumor das ondas.
Quando a noite chegou,
as estrelas acenderam-se devagar
sobre o oceano escuro.
E as duas almas compreenderam,
sem dizer uma única palavra,
que alguns encontros
não acontecem para prender,
mas para iluminar.
Como faróis distantes,
que por um breve momento
cruzam a escuridão
e tornam o caminho
mais bonito de percorrer.
