Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2

Duas almas à beira-mar

Sentadas diante do mar,

duas almas observavam
o mesmo horizonte,

mas cada uma carregava
tempestades diferentes.

As ondas chegavam,
tocavam a areia
e voltavam para o infinito,

como pensamentos
que visitam o coração
antes de partir.

Nenhuma palavra era necessária.

Há silêncios
que conversam melhor
do que longos discursos.

O vento passava leve,
desfazendo preocupações,
espalhando lembranças
sobre a superfície da água.

Uma alma trazia cicatrizes.

A outra também.

E talvez tenha sido isso
que as aproximou.

Não a perfeição,

mas a coragem
de continuar apesar dela.

O mar seguia seu ofício antigo,
lembrando que tudo muda:

as marés,
as nuvens,
os dias felizes
e os dias difíceis.

Mas havia algo que permanecia.

A presença.

O simples fato
de compartilhar o mesmo instante,
o mesmo pôr do sol,
o mesmo rumor das ondas.

Quando a noite chegou,
as estrelas acenderam-se devagar
sobre o oceano escuro.

E as duas almas compreenderam,
sem dizer uma única palavra,

que alguns encontros
não acontecem para prender,

mas para iluminar.

Como faróis distantes,

que por um breve momento
cruzam a escuridão
e tornam o caminho
mais bonito de percorrer.

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