Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2

A solidão dentro de um relacionamento

Há silêncios
que não nascem da paz.

Habitam a mesma casa,
sentam-se à mesma mesa,
dividem os mesmos dias,

mas caminham por mundos
que já não se encontram.

As palavras continuam chegando,
como barcos sem destino,

tocam a superfície
e desaparecem.

Não há tempestade.

Não há despedida.

Apenas uma distância invisível
crescendo devagar
entre dois corações.

É estranho sentir saudade
de alguém que está ao alcance dos olhos.

Mais estranho ainda
é perceber que a ausência
pode morar na presença.

Os dias seguem seu curso.

Há compromissos,
rotinas,
conversas sobre o necessário.

Mas aquilo que um dia foi abrigo
transforma-se em corredor,

longo,
frio,
ecoando passos solitários.

Ninguém vê.

Por fora,
a vida parece inteira.

Por dentro,
há janelas fechadas
e quartos vazios.

Ainda assim,

em algum lugar,
permanece uma pequena luz.

Porque todo afeto verdadeiro
merece ser ouvido
antes de ser perdido.

E toda alma
merece ser encontrada,

mesmo que primeiro
precise reaprender
a encontrar a si mesma.

Pois a pior solidão
não é caminhar sozinho.

É deixar de ser visto
por quem um dia
prometeu permanecer.

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