Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2

O amor que era sonho de apenas um dos dois

Havia um jardim.

Pelo menos assim parecia.

Um coração regava flores,
plantava esperanças,
construía caminhos
e imaginava primaveras.

Do outro lado,

havia apenas um campo vazio.

Enquanto um contava estrelas,
o outro observava o céu
sem procurar constelações.

Enquanto um escrevia futuros,
o outro lia apenas o presente.

Não houve mentira.

Nem sempre.

Às vezes, a verdade
estava ali desde o início,

escondida não por maldade,
mas pelo desejo de acreditar.

O amor tem dessas coisas.

Quando nasce sozinho,
aprende a inventar pontes
sobre rios que nunca tiveram margem oposta.

Transforma gestos comuns
em promessas.

Silêncios
em mistérios.

Ausências
em esperas.

Até que chega o dia
em que a luz atravessa a névoa.

E aquilo que parecia uma história compartilhada
revela-se um monólogo.

Então vem o luto.

Não apenas pela pessoa,

mas pelos sonhos,
pelas viagens imaginadas,
pelas manhãs que nunca chegaram,
pela vida que existiu
somente dentro do coração de quem amou.

Mas o tempo,
esse paciente jardineiro,

leva embora as ilusões
e preserva as sementes.

Porque nenhum amor sincero
é desperdício.

Mesmo quando não encontra abrigo,
ensina.

Mesmo quando não floresce,
transforma.

E um dia,

sem mágoa,
sem cobrança,
sem amarras,

o coração compreende:

algumas pessoas
não entram em nossa vida
para permanecer.

Entram para mostrar
que a capacidade de amar

sempre foi nossa.

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