Há caminhos
que percorrem o mundo inteiro
apenas para voltar
ao ponto de partida.
Não porque tenham falhado,
mas porque certas respostas
não vivem além do horizonte.
Vivem dentro.
Durante anos,
a alma correu.
Colecionou encontros,
despedidas,
vitórias,
quedas.
Vestiu máscaras
que o tempo exigia,
carregou pesos
que não lhe pertenciam,
perseguiu sonhos
que talvez fossem de outros.
E, no meio da pressa,
esqueceu o próprio nome.
Então veio o silêncio.
Não como castigo,
mas como convite.
Pela primeira vez,
não havia multidão,
nem expectativas,
nem caminhos apontados.
Apenas a companhia
de si mesmo.
No início,
houve estranheza.
Como quem encontra
um velho amigo
após muitos anos de ausência.
Mas, pouco a pouco,
as partes perdidas
foram regressando.
Os sonhos esquecidos.
As verdades guardadas.
As alegrias simples.
Tudo aquilo
que permanecera à espera.
O espelho já não mostrava
quem o mundo desejava ver.
Mostrava alguém mais raro:
quem realmente era.
E nesse reencontro,
não houve fogos,
nem aplausos,
nem grandes celebrações.
Apenas uma paz serena,
como a de um viajante
que, depois de atravessar desertos e tempestades,
finalmente encontra casa.
Pois há descobertas
que valem uma vida inteira.
E talvez a maior delas
seja compreender
que nunca foi preciso
procurar tão longe
aquilo que sempre habitou
o próprio coração.
