Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2

O reencontro consigo mesmo

Há caminhos
que percorrem o mundo inteiro

apenas para voltar
ao ponto de partida.

Não porque tenham falhado,

mas porque certas respostas
não vivem além do horizonte.

Vivem dentro.

Durante anos,
a alma correu.

Colecionou encontros,
despedidas,
vitórias,
quedas.

Vestiu máscaras
que o tempo exigia,
carregou pesos
que não lhe pertenciam,
perseguiu sonhos
que talvez fossem de outros.

E, no meio da pressa,

esqueceu o próprio nome.

Então veio o silêncio.

Não como castigo,

mas como convite.

Pela primeira vez,
não havia multidão,
nem expectativas,
nem caminhos apontados.

Apenas a companhia
de si mesmo.

No início,
houve estranheza.

Como quem encontra
um velho amigo
após muitos anos de ausência.

Mas, pouco a pouco,

as partes perdidas
foram regressando.

Os sonhos esquecidos.
As verdades guardadas.
As alegrias simples.

Tudo aquilo
que permanecera à espera.

O espelho já não mostrava
quem o mundo desejava ver.

Mostrava alguém mais raro:

quem realmente era.

E nesse reencontro,

não houve fogos,
nem aplausos,
nem grandes celebrações.

Apenas uma paz serena,

como a de um viajante
que, depois de atravessar desertos e tempestades,

finalmente encontra casa.

Pois há descobertas
que valem uma vida inteira.

E talvez a maior delas

seja compreender
que nunca foi preciso
procurar tão longe

aquilo que sempre habitou
o próprio coração.

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