Dizem que veio de longe.
De um lugar tão pequeno
que bastavam alguns passos
para atravessar o seu mundo,
e tão grande
que nele cabiam o espanto,
as perguntas
e uma rosa.
Trazia nos olhos
a antiga sabedoria das crianças:
a de olhar sem possuir,
a de admirar sem explicar,
a de amar sem medir.
Pelo caminho encontrou reis,
vaidosos,
homens ocupados em contar estrelas,
e outros tão distraídos da vida
que já não percebiam o pôr do sol.
E seguiu.
Porque há viagens
que não procuram destinos,
mas sentidos.
Aprendeu que as rosas
não são apenas flores.
Que os desertos
guardam fontes invisíveis.
Que as raposas
ensinam mais sobre amizade
do que muitos livros.
E que o amor
não nasce da perfeição,
mas do cuidado.
Talvez essa seja a razão
de sua história atravessar os anos.
Não fala de planetas.
Fala de pessoas.
Não fala de estrelas.
Fala dos sonhos
que permanecem acesos
mesmo quando a noite chega.
E continua a caminhar,
de página em página,
como uma pequena luz
lembrando ao mundo apressado
que o essencial
não se perdeu.
Apenas espera,
em algum lugar silencioso,
que alguém volte a olhar
com o coração.
