Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2

Nascer e morrer muitas vezes

Há quem pense
que a vida acontece apenas uma vez.

Mas há vidas inteiras
dentro de uma única existência.

Morre-se quando um sonho se desfaz,
quando uma porta se fecha,
quando aquilo que parecia eterno
aprende a partir.

Morre-se em despedidas silenciosas,
em caminhos abandonados,
em versões de si
que já não cabem no presente.

E, ainda assim,
algo insiste em permanecer.

Uma centelha,
uma coragem discreta,
uma semente escondida
sob a terra dos dias difíceis.

Então nasce-se outra vez.

Nasce-se depois da tempestade,
depois da queda,
depois das noites em que parecia impossível
encontrar o próprio rumo.

Nasce-se mais atento,
mais leve,
menos disposto a carregar
o que rouba a paz.

Cada recomeço traz marcas,
mas também traz raízes.

E talvez a beleza da vida
não esteja em permanecer igual,
mas em ter a coragem
de renascer sempre que necessário.

Porque viver
é morrer para o que passou
e nascer para o que ainda pode florescer.

Muitas vezes.

Quantas forem precisas.

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