O amor é o mais belo dos sentimentos,
um abrigo aceso nas noites longas,
uma ponte lançada sobre os medos,
uma luz que encontra caminhos.
Mas o amor não vive apenas de permanências.
Há amores que florescem na despedida,
quando o coração compreende
que paz também é uma forma de afeto.
Nem toda partida nasce da ausência de amor.
Às vezes nasce do cansaço,
de promessas repetidas ao vento,
de acordos que nunca encontram morada.
Há palavras que, de tão quebradas,
transformam confiança em silêncio.
E há silêncios que ensinam
o valor de voltar para si.
Então o amor muda de direção.
Deixa de pedir e começa a acolher.
Deixa de esperar e passa a cuidar
daquilo que ainda respira por dentro.
Porque escolher a própria paz
não é abandonar o amor.
É impedir que ele se perca
em caminhos que apenas desgastam.
E quando a alma já não tem forças
para carregar pesos que não lhe pertencem,
também é amor abrir as mãos
e seguir mais leve.
Pois o amor verdadeiro não aprisiona,
não exige que alguém se apague para existir.
Às vezes, sua forma mais bonita
é o reencontro sereno consigo mesmo.
