Reflexões Sociais e Existenciais

Então é assim que termina?

Então é assim que termina?

Não com uma porta batendo,
nem com malas pelo chão,
nem com uma última frase
capaz de explicar tudo.

Às vezes, termina em silêncio.

Duas pessoas permanecem
sob o mesmo teto,
mas alguma coisa invisível
já atravessou a distância
entre elas.

Os mesmos cômodos,
os mesmos objetos,
a mesma rotina,
mas nada parece ocupar
o lugar de antes.

Uma conversa pode abrir
uma rachadura inesperada.
Uma palavra pode permanecer
por muito tempo
onde antes havia confiança.

E, pouco a pouco,
o que era cotidiano
torna-se estranho.

O silêncio ganha peso.
Os encontros pelos corredores
tornam-se breves.
Cada presença parece lembrar
aquilo que já não existe.

Então é assim que termina?

Sem uma grande cena,
sem um instante exato,
sem que seja possível apontar
o momento em que tudo mudou?

Talvez alguns finais
não aconteçam de uma vez.

Talvez comecem
quando a confiança se desfaz,
quando as palavras já não alcançam
quem antes as escutava,
quando permanecer
passa a parecer mais difícil
do que partir.

E ainda ficam
as fotografias,
os objetos,
os lugares conhecidos,
as lembranças de dias
que não voltam.

Nada disso desaparece
só porque uma história chegou ao fim.

Algumas histórias terminam
sem deixar de ter existido.

E talvez aceitar um fim
não seja apagar o passado,
nem transformar carinho em culpa.

Seja apenas compreender
que até aquilo que parecia definitivo
pode chegar ao último capítulo.

Então é assim que termina?

Talvez termine exatamente assim:

com duas pessoas
ainda dentro da mesma casa,
mas já começando,
cada uma à sua maneira,
a aprender a viver
depois do fim.

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