Autoconhecimento e Verdade, Entre Sentir e Curar, Reflexões Sociais e Existenciais

O coração que não se fecha

Que o coração permaneça aberto,
não por desconhecer as feridas,
mas por ter aprendido
que nenhuma dor precisa
ser transformada em morada.

Que ainda reconheça o amor
quando ele chegar sem anúncio:
na presença que não invade,
na palavra que acalma,
no silêncio que sabe ficar.

Que o receba sem medo,
sem procurar despedidas
em cada novo encontro,
sem pedir ao amanhã
garantias que ele não pode oferecer.

E que também o compartilhe
nas formas mais simples:

em um gesto sem testemunhas,
na escuta sem pressa,
no cuidado que não cobra retorno,
na delicadeza de não aumentar
o peso que alguém já carrega.

Porque o amor nem sempre chega
como uma grande revelação.

Às vezes,
é apenas uma fresta de luz
atravessando o dia
e lembrando ao coração
que ainda existe beleza
disposta a entrar.

E talvez viver seja isso:

não permitir que as ausências
fechem todas as janelas,
nem que as antigas tempestades
decidam para sempre
a direção dos afetos.

Manter o coração aberto
é continuar acreditando,
com doçura e coragem,
que aquilo que se oferece ao mundo
também encontra caminhos
para regressar.

Comentário também é uma forma de abraço: