Equilíbrio e Presença

Onde o silêncio repousa

A calma
raramente anuncia
a própria chegada.

Não pede licença.

Não levanta a voz.

Não precisa
convencer ninguém
de que existe.

Ela apenas chega.

Como a luz
que atravessa
a janela
antes mesmo
que o dia
seja percebido.

Como o perfume
de uma flor
que ninguém viu abrir.

Às vezes,
confundimos paz
com a ausência
de tempestades.

Esperamos
que o mundo
se organize

para então
descansarmos.

Mas a calma
não nasce
do lado de fora.

Ela floresce
quando deixamos
de exigir
que tudo aconteça
no tempo
que imaginamos.

Quando soltamos
a necessidade
de controlar
cada resposta,
cada despedida,
cada incerteza.

Há ondas
que nunca deixarão
de existir.

Há ventos
que continuarão
mudando
a direção dos dias.

E há batalhas
que não se vencem
com força,

mas com permanência.

Talvez o equilíbrio
não seja
silenciar a vida,

nem impedir
que o caos exista.

Talvez seja descobrir

que existe
um lugar
onde o ruído
não alcança.

Um espaço
que permanece inteiro

mesmo quando
o coração vacila.

Porque a serenidade
não é um destino.

É um lugar
que aprendemos
a visitar.

E, depois de encontrado,

descobrimos
que ele sempre esteve

dentro de nós.

4 comentários em “Onde o silêncio repousa”

  1. Na calma das mãos o acervo do Sim
    na palma curva das mãos abertas em leque
    algo se move e se levanta e cresce
    como um solriso
    lentamente aderindo ao dia que já se entrona
    e então abre-se o guarda-roupas
    para escolher as medidas exatas do dia.

    ***

    Poema escrito agora para o Sinfonia de Palavras.
    Darlan M Cunha
    ,
    Aquele abraço, Bia.

    1. Darlan, que delicadeza transformar o nascer do dia em um “solriso” que cresce lentamente! Adorei essa imagem e a forma como o poema veste a manhã com as medidas exatas do dia. Muito obrigada por mais esse lindo presente para o Sinfonia de Palavras. Aquele abraço!🌞

  2. Na calma das mãos o estoque do Sim
    na palma curva das mãos cada esboço
    sendo aberto devagar
    como se abre um abacate ou um solriso
    como se abre o guarda-roupas
    de manhã
    em busca das medidas do dia: só risos, espera-se.

    ***
    Poema escrito agora para o Sinfonia de Palavras.
    Darlan M Cunha
    *
    Um abraço, Bia.

    1. Darlan, você conseguiu me fazer sorrir com esse poema! A comparação com o abacate foi inesperada e divertida! 😄 Adorei receber mais esse carinho escrito especialmente para o Sinfonia de Palavras. Muito obrigada, meu amigo! Um grande abraço! 💛✨

Comentário também é uma forma de abraço: