A calma
raramente anuncia
a própria chegada.
Não pede licença.
Não levanta a voz.
Não precisa
convencer ninguém
de que existe.
Ela apenas chega.
Como a luz
que atravessa
a janela
antes mesmo
que o dia
seja percebido.
Como o perfume
de uma flor
que ninguém viu abrir.
Às vezes,
confundimos paz
com a ausência
de tempestades.
Esperamos
que o mundo
se organize
para então
descansarmos.
Mas a calma
não nasce
do lado de fora.
Ela floresce
quando deixamos
de exigir
que tudo aconteça
no tempo
que imaginamos.
Quando soltamos
a necessidade
de controlar
cada resposta,
cada despedida,
cada incerteza.
Há ondas
que nunca deixarão
de existir.
Há ventos
que continuarão
mudando
a direção dos dias.
E há batalhas
que não se vencem
com força,
mas com permanência.
Talvez o equilíbrio
não seja
silenciar a vida,
nem impedir
que o caos exista.
Talvez seja descobrir
que existe
um lugar
onde o ruído
não alcança.
Um espaço
que permanece inteiro
mesmo quando
o coração vacila.
Porque a serenidade
não é um destino.
É um lugar
que aprendemos
a visitar.
E, depois de encontrado,
descobrimos
que ele sempre esteve
dentro de nós.
