A calma
raramente anuncia
a própria chegada.
Não pede licença.
Não levanta a voz.
Não precisa
convencer ninguém
de que existe.
Ela apenas chega.
Como a luz
que atravessa
a janela
antes mesmo
que o dia
seja percebido.
Como o perfume
de uma flor
que ninguém viu abrir.
Às vezes,
confundimos paz
com a ausência
de tempestades.
Esperamos
que o mundo
se organize
para então
descansarmos.
Mas a calma
não nasce
do lado de fora.
Ela floresce
quando deixamos
de exigir
que tudo aconteça
no tempo
que imaginamos.
Quando soltamos
a necessidade
de controlar
cada resposta,
cada despedida,
cada incerteza.
Há ondas
que nunca deixarão
de existir.
Há ventos
que continuarão
mudando
a direção dos dias.
E há batalhas
que não se vencem
com força,
mas com permanência.
Talvez o equilíbrio
não seja
silenciar a vida,
nem impedir
que o caos exista.
Talvez seja descobrir
que existe
um lugar
onde o ruído
não alcança.
Um espaço
que permanece inteiro
mesmo quando
o coração vacila.
Porque a serenidade
não é um destino.
É um lugar
que aprendemos
a visitar.
E, depois de encontrado,
descobrimos
que ele sempre esteve
dentro de nós.

Na calma das mãos o acervo do Sim
na palma curva das mãos abertas em leque
algo se move e se levanta e cresce
como um solriso
lentamente aderindo ao dia que já se entrona
e então abre-se o guarda-roupas
para escolher as medidas exatas do dia.
***
Poema escrito agora para o Sinfonia de Palavras.
Darlan M Cunha
,
Aquele abraço, Bia.
Darlan, que delicadeza transformar o nascer do dia em um “solriso” que cresce lentamente! Adorei essa imagem e a forma como o poema veste a manhã com as medidas exatas do dia. Muito obrigada por mais esse lindo presente para o Sinfonia de Palavras. Aquele abraço!🌞
Na calma das mãos o estoque do Sim
na palma curva das mãos cada esboço
sendo aberto devagar
como se abre um abacate ou um solriso
como se abre o guarda-roupas
de manhã
em busca das medidas do dia: só risos, espera-se.
***
Poema escrito agora para o Sinfonia de Palavras.
Darlan M Cunha
*
Um abraço, Bia.
Darlan, você conseguiu me fazer sorrir com esse poema! A comparação com o abacate foi inesperada e divertida! 😄 Adorei receber mais esse carinho escrito especialmente para o Sinfonia de Palavras. Muito obrigada, meu amigo! Um grande abraço! 💛✨