Durante muito tempo,
o olhar
procurou respostas
em todos os lugares.
Nas palavras
dos outros.
Nos caminhos
já percorridos.
Nas certezas
que pareciam
mais seguras
quando vinham
de fora.
Era mais fácil
enxergar
o mundo
do que permanecer
alguns instantes
diante
da própria alma.
Porque olhar
para si
também exige
coragem.
É encontrar
fragilidades
que ainda doem.
Sonhos
que ficaram
esquecidos.
Partes
que aprenderam
a se esconder
para continuar
pertencendo.
Mas existe
um momento
em que fugir
de si
cansa mais
do que permanecer.
Então,
bem devagar,
o coração
começa
a se aproximar
daquilo
que sempre evitou.
Sem pressa.
Sem julgamentos.
Como quem visita
uma antiga casa
e descobre
que ela ainda
guarda
o próprio nome.
Aprender
a olhar para si
não é encontrar
perfeição.
É reconhecer
a beleza
de continuar
em construção.
É aceitar
que algumas partes
ainda precisam
de tempo,
enquanto outras
já florescem
em silêncio.
E talvez
o maior presente
não seja descobrir
quem se é.
Mas perceber
que nunca
foi necessário
ser diferente
para merecer
o próprio abraço.
Porque é no instante
em que o olhar
deixa de procurar
aprovação
e encontra
acolhimento,
que a alma
finalmente
se sente
em casa.
