Entre Sentir e Curar

Recolha sua energia

Recolha sua energia.

Não corra atrás
de quem já ouviu a dor
e escolheu chamar de exagero.

Não explique mais
o que tantas vezes
foi entregue com verdade
e voltou como culpa
para os braços cansados.

Não implore paz
a quem deveria também
cuidar dela.

Há momentos em que a alma
precisa fechar a porta
não por frieza,
mas por sobrevivência.

Precisa parar de repetir
a mesma ferida,
a mesma defesa,
o mesmo pedido de cuidado
em lugares onde a escuta
não floresce.

Durma.

Mesmo que a mente
ainda queira entender tudo.

Respire.

Mesmo que o peito
pareça carregar
o peso de muitas tentativas.

Volte para dentro.

Lá ainda existe uma parte silenciosa
que não quer briga,
não quer guerra,
não quer vencer ninguém.

Só quer descansar.

Anote o que é indispensável:
respeito,
segurança,
verdade,
dignidade,
silêncio sem medo,
amor sem humilhação,
presença sem ameaça.

E amanhã,
com a cabeça mais clara,
não pense apenas
no medo de perder alguém.

Pense também
no quanto já se perdeu
tentando manter perto
quem não soube proteger
a paz.

Porque existe um cansaço
que não pede mais explicação.

Pede recolhimento.

Pede cuidado.

Pede coragem
para não abandonar a própria alma
só para continuar cabendo
em uma história
que já não devolve abrigo.

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