Entre Sentir e Curar, Relacionamentos e Vínculos

Quando a ausência chega primeiro

Há dias
em que nada encontra saída.

As palavras cansam,
as tentativas perdem força,
o coração fica parado
diante de uma porta
que já não sabe
se ainda deve abrir.

O que era bonito
começa a doer
não porque deixou de ter valor,
mas porque já não cabe
no mesmo lugar de antes.

Fica um vazio
entre o que se viveu
e o que talvez precise acabar.

Um silêncio comprido
se instala na casa,
na alma,
nos gestos pequenos.

E tudo parece ausência
antes mesmo da partida.

Há uma tristeza estranha
em esperar uma separação.

É como ver
um jardim conhecido
perdendo as flores devagar,
sem tempestade,
sem grito,
apenas pela falta
de cuidado.

O coração aperta
não só pelo fim,
mas pela lembrança
do que um dia foi leve,
do que um dia foi promessa,
do que um dia pareceu abrigo.

E quando nada pode ser resolvido,
resta apenas ficar.

Ficar no silêncio.
Ficar no vazio.
Ficar na dor sem resposta.
Ficar olhando a ausência
chegar antes do adeus.

Porque existem perdas
que começam
muito antes da separação.

E existem fins
que primeiro acontecem
dentro da alma,
quando ela percebe,
com tristeza e lucidez,
que já não há mais paz
onde um dia houve beleza.

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