Há almas que não caminham,
atravessam.
Passam por dias estreitos,
por silêncios pesados,
por perguntas sem resposta
e ainda assim
não desistem da própria luz.
Carregam cansaços antigos
nos ombros,
mas guardam no peito
uma chama discreta,
dessas que não fazem barulho,
mas continuam acesas.
Nem sempre sabem
para onde a vida as leva.
Às vezes, apenas seguem,
com a coragem cansada,
com a esperança ferida,
com a paz ainda distante.
Mas há uma força
que não se entrega
ao escuro.
Mesmo quando tudo pesa,
mesmo quando o mundo exige demais,
mesmo quando a alma deseja apenas
um lugar seguro para descansar,
algo dentro dela
continua procurando claridade.
Porque há travessias
que não servem para apagar ninguém.
Servem para revelar
quem ainda consegue florescer
depois da tempestade.
E talvez a paz
não chegue como fim de caminho,
mas como um pequeno abrigo
dentro do próprio ser.
Um lugar silencioso
onde a alma entende,
finalmente,
que pode buscar descanso
sem abandonar a luz
que a manteve viva.
