Silêncios que Acolhem

O silêncio também guarda vida

Ficar em silêncio
por um tempo
não significa
recomeçar do zero.

Nem toda pausa
é abandono.

Nem todo afastamento
é fim.

Há momentos
em que a alma
precisa se retirar
para não se perder
dentro do excesso.

Há dias
em que o mundo pesa,
as palavras cansam,
os passos diminuem
e até a esperança
parece pedir descanso.

Mas o silêncio
também trabalha.

Ele organiza dores,
acolhe cansaços,
protege sementes,
cuida do que ainda
não pode florescer.

Por fora,
pode parecer ausência.

Por dentro,
muitas vezes,
é apenas reconstrução.

Porque aquilo
que tem raiz
não desaparece
só porque deixou
de ser visto.

A luz não deixa
de existir
quando se recolhe.

O sonho não morre
quando descansa.

A voz não se perde
quando escolhe
ficar quieta
por um tempo.

Às vezes,
é preciso silenciar
para voltar
com mais verdade.

É preciso parar
para ouvir
o próprio coração.

É preciso sair
de cena
para lembrar
que a vida
também acontece
nos bastidores.

E quando algo retorna,
não retorna vazio.

Volta com memória,
com travessia,
com marcas,
com aprendizado.

Volta diferente,
mas não menor.

Volta mais inteiro
do que antes.

Porque recomeçar do zero
seria não carregar história,
não ter passado,
não ter chão.

E não é isso.

Quem ficou em silêncio
ainda tem caminho.

Quem pausou
ainda tem raiz.

Quem se recolheu
ainda pode florescer.

Ficar em silêncio
por um tempo
não significa
ter perdido tudo.

Significa apenas
que, em algum lugar
dentro da alma,
a vida esperou
o momento certo
para voltar a respirar.

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