Esperança e Suavidade

O que ainda brilha

Há dias
em que a alma
fala baixo.

Não porque perdeu a voz,
mas porque cansou
de gritar por dentro.

Há dias
em que o mundo pesa,
mesmo quando ninguém vê.

E a gente sorri
com metade do rosto,
enquanto a outra metade
tenta não desabar.

Mas existe uma luz
que não faz barulho.

Ela fica ali,
pequena,
teimosa,
quase escondida.

Aparece
no café quente,
na janela aberta,
numa mensagem simples,
numa música antiga.

Aparece
quando a gente respira fundo
e percebe
que ainda está aqui.

Nem tudo passou.
Nem tudo curou.
Nem tudo ficou leve.

Mas alguma coisa
continua brilhando.

E talvez seja isso
que salva o dia:

não a certeza
de que tudo vai mudar,

mas a coragem silenciosa
de continuar
mesmo antes
da manhã chegar.

2 comentários em “O que ainda brilha”

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