Há noites
que não parecem noite.
Parecem um quarto fechado
dentro do peito,
um lugar sem janela,
onde cada pensamento
faz mais barulho
do que deveria.
A gente deita o corpo,
mas a alma
continua andando.
Vai de medo em medo,
de lembrança em lembrança,
procurando uma saída
em corredores
que só existem por dentro.
Nessas horas,
até respirar
parece uma tarefa grande.
Mas existe uma força silenciosa
que ninguém vê.
Ela não faz discursos,
não acende todas as luzes,
não resolve a vida inteira.
Apenas permanece.
Fica ali,
pequena e teimosa,
segurando a pessoa por dentro
quando tudo parece
querer desabar.
E talvez seja isso
que salva uma noite difícil:
não a ausência da dor,
mas a presença discreta
de algo que ainda não desistiu.
Antes que a manhã saiba
o quanto custou chegar até ela,
a alma já venceu
muitas batalhas
em silêncio.
