Há preocupações que não fazem barulho,
mas ocupam a casa inteira por dentro.
Chegam pequenas,
disfarçadas de cuidado,
de atenção,
de tentativa de prever o que ainda nem aconteceu.
E, quando percebemos,
a mente já transformou um sinal simples
em ameaça,
uma dor passageira
em diagnóstico,
um silêncio
em presságio.
A preocupação exagera em segredo.
Não grita,
mas repete.
Não prova,
mas convence.
Não acontece,
mas cansa
como se já tivesse acontecido.
E talvez uma das coisas mais difíceis
seja lembrar, no meio do medo,
que pensar muito sobre algo
não significa estar mais preparado.
Às vezes,
é apenas a mente tentando controlar
o que nunca coube em suas mãos.
Por isso,
é preciso voltar devagar
para o que existe agora:
o corpo respirando,
o chão sustentando,
a vida acontecendo
antes da tragédia imaginada.
Porque nem todo medo é aviso.
Nem toda preocupação é verdade.
E nem tudo que a mente aumenta
merece ocupar
o tamanho da nossa paz.
