Há coisas que a mente demora
para organizar.
Ela procura provas,
monta explicações,
tenta encontrar uma razão
para aquilo que chegou
sem pedir licença.
Mas o coração,
às vezes,
entende antes.
Ele percebe
o que ainda não tem nome.
Sente o peso
de certas presenças.
Reconhece a leveza
de alguns encontros.
Escuta, no silêncio,
aquilo que nenhuma palavra
conseguiu dizer.
Nem sempre é medo.
Nem sempre é dúvida.
Às vezes,
é apenas a vida
tocando por dentro
antes de aparecer por fora.
Há pressentimentos
que não vêm para assustar,
mas para avisar.
Há intuições
que não gritam,
apenas permanecem.
E há verdades
que chegam primeiro
como sensação,
antes de se tornarem
certeza.
Talvez seja por isso
que nem tudo precisa
ser explicado imediatamente.
Algumas respostas
começam no corpo,
passam pelo peito
e só depois
alcançam o pensamento.
Porque o coração,
quando aprende a escutar,
também sabe ler
o que a mente
ainda não conseguiu traduzir.
