Para as Noites Difíceis

Quando a noite acende os medos

Quando a noite cai,
nem sempre é o escuro
que assusta.

Às vezes,
é o silêncio abrindo espaço
para pensamentos
que durante o dia
não tiveram voz.

Eles chegam grandes,
pesados,
quase certos.

Inventam finais tristes,
aumentam ausências,
transformam dúvidas pequenas
em tempestades inteiras.

Mas nem todo pensamento
é verdade.

Alguns são apenas cansaço
falando alto demais.
Alguns são medo
vestido de pressentimento.
Alguns são feridas antigas
procurando uma porta aberta.

A noite tem esse jeito
de ampliar sombras
que a manhã costuma diminuir.

Por isso,
quando tudo parecer pior,
respira.

Nem sempre é a vida
desmoronando.
Às vezes,
é só a mente cansada
pedindo descanso
no único idioma
que aprendeu:
o medo.

E amanhã,
quando a luz tocar outra vez
as mesmas paredes,
talvez nada tenha mudado
do lado de fora.

Mas algo pode parecer menor.
Mais nítido.
Mais possível.

Porque nehum medo
que cresce no escuro
merece virar verdade
ao amanhecer.

7 comentários em “Quando a noite acende os medos”

    1. Luiz, que alegria receber esse carinho. Muito obrigada por reblogar meu poema e por valorizar o meu trabalho. Fico feliz em saber que minhas palavras encontraram abrigo também no seu espaço. Um abraço com gratidão! ❤️

    2. Bom dia, Luiz! Realmente este poema merece ser reblogado. É lindo e certeiro! A Bia é ótima! Só tive UM pequeno reparo, no texto, que eu trocaria um verso: “Porque nem todo medo”, propondo: “Porque nenhum medo”. Bom fim de semana, irmão! O trabalho dignifica cada pessoa e dignifica um País! Tamo junto!

      1. Bom dia! Que carinho bonito receber esse comentário. Fico muito feliz que o poema tenha tocado assim e que tenha sido reblogado com tanto cuidado.

        E agradeço também pelo reparo, achei a sugestão muito pertinente. O verso foi aceito e já atualizado para “Porque nenhum medo”.

        Um ótimo fim de semana para vocês! Que o trabalho siga dignificando, inspirando e construindo caminhos.🙏✨

        Bia

Comentário também é uma forma de abraço: