Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2

Os encontros que o tempo não explica

Há encontros
que desafiam a lógica.

Não chegam anunciados.

Não seguem mapas.

Não obedecem aos planos
que cuidadosamente desenhamos.

Simplesmente acontecem.

Uma conversa inesperada.

Um olhar entre desconhecidos.

Uma presença que surge
quando nada parecia faltar,

e ainda assim
transforma tudo.

O tempo passa a vida inteira
tentando explicar certas coisas.

Conta datas.

Organiza acontecimentos.

Procura causas e consequências.

Mas alguns encontros
escapam dessas medidas.

Parecem maiores
do que o instante em que aconteceram.

Mais antigos
do que o primeiro cumprimento.

Mais profundos
do que as palavras trocadas.

Há pessoas
que conhecemos há décadas

e permanecem distantes.

E há outras
que chegam numa tarde qualquer

e encontram lugar
onde ninguém antes havia chegado.

É como se certas almas
falassem uma linguagem silenciosa.

Uma linguagem
que dispensa apresentações.

Que atravessa diferenças,
distâncias
e histórias.

Ninguém sabe explicar.

Talvez porque nem tudo
tenha sido feito para ser compreendido.

Algumas coisas
existem apenas para serem vividas.

Como o perfume da chuva
antes da tempestade.

Como o brilho das estrelas
sobre o mar.

Como a paz inesperada
que certas presenças carregam.

Os encontros que o tempo não explica

não prometem duração.

Alguns permanecem por toda a vida.

Outros partem cedo demais.

Mas a medida de um encontro
não está nos anos que ocupa.

Está na marca que deixa.

Há pessoas
que passam décadas ao nosso lado
sem alterar o curso dos dias.

E há aquelas
que atravessam apenas uma estação

e mudam para sempre
a paisagem da alma.

Talvez seja por isso
que alguns nomes permanecem.

Alguns rostos regressam à memória.

Algumas vozes continuam ecoando
mesmo depois do silêncio.

Porque existem encontros

que não pertencem ao relógio.

Não pertencem ao acaso.

Não pertencem sequer
às explicações humanas.

Pertencem ao mistério.

Ao invisível.

Àquela parte da existência
que nos recorda

que nem tudo o que transforma uma vida
pode ser medido ou entendido.

E talvez seja justamente isso
que os torna tão preciosos.

Pois, em um mundo
que insiste em explicar tudo,

ainda existem encontros

que apenas o coração
é capaz de reconhecer.

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