Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2

A distância não mede os afetos

A distância engana.

Faz os olhos acreditarem
que tudo aquilo que está longe
se tornou menor.

Mas o coração
não conhece quilômetros.

Não consulta mapas.

Não calcula fronteiras.

Há pessoas
que vivem na mesma casa

e habitam continentes diferentes.

E há outras
separadas por oceanos

que permanecem próximas
todos os dias.

A distância mede estradas.

Mede voos.

Mede o espaço
entre um lugar e outro.

Mas nunca conseguiu medir
a saudade.

Nunca conseguiu calcular
a importância de uma lembrança.

Nunca encontrou uma forma
de registrar o tamanho
de um amor verdadeiro.

Há afetos
que atravessam fusos horários.

Que sobrevivem aos silêncios.

Que resistem aos anos.

Como faróis acesos
em margens distantes,

continuam brilhando
mesmo quando não podem ser vistos.

Existem vozes
que moram na memória.

Risadas
que continuam ecoando.

Abraços
que permanecem aquecendo a alma
muito depois do encontro.

O tempo passa.

As paisagens mudam.

As pessoas seguem caminhos diferentes.

Mas alguns laços
recusam-se a desaparecer.

Não porque estejam presos.

Mas porque criaram raízes
mais profundas do que a ausência.

Talvez seja por isso
que certas mensagens emocionam.

Que determinadas fotografias
fazem o coração sorrir.

Que alguns nomes
nunca se tornam estranhos.

Porque os afetos verdadeiros
não dependem da proximidade dos corpos.

Dependem da presença
que permanece viva
dentro de nós.

A distância pode afastar mãos.

Pode separar cidades.

Pode colocar mares
entre dois horizontes.

Mas há coisas
que ela jamais conseguirá levar.

A gratidão.

A amizade.

O amor.

As histórias compartilhadas.

E todas as pequenas luzes
que alguém acendeu
ao passar por nossa vida.

Pois existem pessoas

que, mesmo estando longe,

continuam sentadas
à mesa da memória,

caminhando pelos corredores da saudade

e habitando,
com delicadeza,

os lugares mais bonitos
do coração.

E então compreendemos:

a distância mede caminhos,

mas os afetos

pertencem ao infinito.

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