Quando o amor passa,
a princípio parece
que leva tudo consigo.
As risadas compartilhadas,
os planos desenhados no ar,
os caminhos percorridos lado a lado.
Ficam os espaços vazios.
As músicas que doem.
As datas que insistem em voltar.
Os lugares que guardam ecos.
Por um tempo,
a ausência ocupa mais espaço
do que a própria presença ocupava.
Mas o tempo,
esse artesão paciente,
vai separando a dor
daquilo que realmente importa.
E então percebe-se:
o amor não levou tudo.
Ficam os aprendizados.
As partes de nós
que cresceram durante a travessia.
A coragem que nasceu
onde antes havia medo.
A capacidade de sentir,
de sonhar,
de confiar.
Ficam as memórias boas,
mais leves a cada estação.
Ficam as histórias
que ajudaram a construir
quem nos tornamos.
Até as cicatrizes permanecem,
não como feridas abertas,
mas como marcas de um caminho
que foi vivido.
Porque o amor verdadeiro,
mesmo quando termina,
não desaparece completamente.
Transforma-se.
Às vezes em gratidão.
Às vezes em saudade serena.
Às vezes apenas em uma lembrança
que já não machuca.
E quando tudo se aquieta,
o que fica
não é o fim da história.
É a certeza silenciosa
de que o coração sobreviveu,
aprendeu,
e continua capaz
de florescer outra vez.
