Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2

O que fica quando o amor passa

Quando o amor passa,

a princípio parece
que leva tudo consigo.

As risadas compartilhadas,
os planos desenhados no ar,
os caminhos percorridos lado a lado.

Ficam os espaços vazios.

As músicas que doem.
As datas que insistem em voltar.
Os lugares que guardam ecos.

Por um tempo,
a ausência ocupa mais espaço
do que a própria presença ocupava.

Mas o tempo,
esse artesão paciente,

vai separando a dor
daquilo que realmente importa.

E então percebe-se:

o amor não levou tudo.

Ficam os aprendizados.

As partes de nós
que cresceram durante a travessia.

A coragem que nasceu
onde antes havia medo.

A capacidade de sentir,
de sonhar,
de confiar.

Ficam as memórias boas,
mais leves a cada estação.

Ficam as histórias
que ajudaram a construir
quem nos tornamos.

Até as cicatrizes permanecem,

não como feridas abertas,

mas como marcas de um caminho
que foi vivido.

Porque o amor verdadeiro,
mesmo quando termina,

não desaparece completamente.

Transforma-se.

Às vezes em gratidão.

Às vezes em saudade serena.

Às vezes apenas em uma lembrança
que já não machuca.

E quando tudo se aquieta,

o que fica
não é o fim da história.

É a certeza silenciosa
de que o coração sobreviveu,

aprendeu,

e continua capaz
de florescer outra vez. 

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