Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2

O amor depois dos anos

O amor depois dos anos

já não corre.

Caminha.

Conhece atalhos,
reconhece tempestades
e aprendeu que nem toda batalha
merece ser travada.

Já não vive apenas
de promessas.

Vive de permanências.

De mãos que continuam se procurando
mesmo quando o tempo
desenha suas marcas.

De olhares que já não precisam
explicar tudo.

De silêncios
que deixaram de ser vazio
para se tornarem companhia.

O amor jovem
acredita que o mundo
gira ao seu redor.

O amor amadurecido
descobre algo mais bonito:

que a felicidade
mora nas coisas simples.

Num café compartilhado.

Numa conversa ao fim do dia.

Num gesto pequeno
que se repete por anos
sem perder o significado.

Depois dos anos,

a beleza já não está
na ausência de defeitos.

Está na aceitação.

Na compreensão
de que ninguém é primavera
todos os dias.

Que há invernos,
há secas,
há tempestades.

E, ainda assim,

há quem permaneça.

Talvez seja essa
a forma mais rara de amor.

Não aquela que promete eternidade
quando tudo é fácil,

mas aquela que escolhe ficar
quando a vida revela
suas imperfeições.

Porque o amor depois dos anos

não é menos intenso.

É mais profundo.

Como um rio antigo,

que já não faz barulho
ao encontrar as pedras,

mas segue seu caminho,

sereno,

sabendo exatamente
para onde pertence. 

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