O amor depois dos anos
já não corre.
Caminha.
Conhece atalhos,
reconhece tempestades
e aprendeu que nem toda batalha
merece ser travada.
Já não vive apenas
de promessas.
Vive de permanências.
De mãos que continuam se procurando
mesmo quando o tempo
desenha suas marcas.
De olhares que já não precisam
explicar tudo.
De silêncios
que deixaram de ser vazio
para se tornarem companhia.
O amor jovem
acredita que o mundo
gira ao seu redor.
O amor amadurecido
descobre algo mais bonito:
que a felicidade
mora nas coisas simples.
Num café compartilhado.
Numa conversa ao fim do dia.
Num gesto pequeno
que se repete por anos
sem perder o significado.
Depois dos anos,
a beleza já não está
na ausência de defeitos.
Está na aceitação.
Na compreensão
de que ninguém é primavera
todos os dias.
Que há invernos,
há secas,
há tempestades.
E, ainda assim,
há quem permaneça.
Talvez seja essa
a forma mais rara de amor.
Não aquela que promete eternidade
quando tudo é fácil,
mas aquela que escolhe ficar
quando a vida revela
suas imperfeições.
Porque o amor depois dos anos
não é menos intenso.
É mais profundo.
Como um rio antigo,
que já não faz barulho
ao encontrar as pedras,
mas segue seu caminho,
sereno,
sabendo exatamente
para onde pertence.
