No início,
era casa.
Havia calor,
havia luz,
havia descanso.
Mas o tempo mudou os ventos.
As paredes continuaram de pé.
O telhado continuou no lugar.
E, ainda assim,
o abrigo desapareceu.
Muitas vezes,
o medo da partida
é maior que o sofrimento da permanência.
Por isso alguns permanecem.
Dias.
Meses.
Anos.
Esperando que as ruínas
voltem a ser lar.
Mas certas portas
já não conduzem ao acolhimento.
Certas janelas
já não deixam entrar a luz.
E permanecer
cobra um preço silencioso.
Pouco a pouco,
leva a alegria,
a esperança,
a própria identidade.
Até que um dia
surge a coragem.
Não para lutar.
Mas para partir.
Porque existem despedidas
que não representam perda.
Representam sobrevivência.
