Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2

O preço de permanecer onde já não há abrigo

No início,

era casa.

Havia calor,
havia luz,
havia descanso.

Mas o tempo mudou os ventos.

As paredes continuaram de pé.

O telhado continuou no lugar.

E, ainda assim,

o abrigo desapareceu.

Muitas vezes,
o medo da partida
é maior que o sofrimento da permanência.

Por isso alguns permanecem.

Dias.

Meses.

Anos.

Esperando que as ruínas
voltem a ser lar.

Mas certas portas
já não conduzem ao acolhimento.

Certas janelas
já não deixam entrar a luz.

E permanecer
cobra um preço silencioso.

Pouco a pouco,

leva a alegria,
a esperança,
a própria identidade.

Até que um dia
surge a coragem.

Não para lutar.

Mas para partir.

Porque existem despedidas
que não representam perda.

Representam sobrevivência.

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