O café chegava cedo.
Trazia consigo
a pressa das manhãs,
os planos inacabados,
as listas de tarefas
e os sonhos que ainda dormiam.
Era forte.
Falava alto
com o silêncio da casa,
acendia luzes,
despertava caminhos.
O chá chegava depois.
Sem urgência.
Sentava-se ao lado da tarde
como um velho amigo
que nada exige.
Enquanto o café
ensinava a começar,
o chá ensinava a permanecer.
Um carregava o fogo.
O outro,
a calma.
Um convidava para a jornada.
O outro,
para a contemplação.
E talvez a vida
precise dos dois.
Da coragem de abrir portas
e da sabedoria de descansar.
Da energia que impulsiona
e da serenidade que acolhe.
Porque nem todos os dias
pedem velocidade.
Nem todos os momentos
pedem repouso.
Há manhãs que nascem café.
Há entardeceres que florescem chá.
E entre um gole e outro,
o tempo segue seu curso,
lembrando que a felicidade
muitas vezes mora
nas pequenas pausas
que aquecem as mãos
e o coração.
