Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2

A janela acesa

Em todas as cidades,

há uma janela acesa
quando a noite já adormeceu.

Uma luz discreta,
quase invisível
entre tantas sombras.

Atrás dela,
alguém pensa.

Alguém espera.

Alguém relembra caminhos
que o tempo levou.

Talvez seja uma mãe
preocupada com um filho distante.

Talvez um viajante
sonhando com o lugar de onde partiu.

Talvez apenas alguém
tentando compreender
os próprios pensamentos.

A cidade dorme.

Os relógios avançam.

As ruas silenciam.

Mas aquela pequena luz
permanece acordada.

Como um farol.

Como uma esperança.

Como uma prova silenciosa
de que cada ser humano
carrega um universo
que ninguém mais vê.

Ao amanhecer,
a janela se apaga.

Mistura-se novamente
à multidão das coisas comuns.

Ninguém percebe.

Ninguém pergunta.

Mas durante algumas horas,

ela guardou histórias,
saudades,
sonhos
e perguntas sem resposta.

Talvez seja assim com todas as pessoas.

Por fora,
apenas mais uma janela.

Por dentro,

um mundo inteiro
iluminado em silêncio.

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