Há mensagens que chegam sem aviso,
como vento leve atravessando a janela,
sem bater à porta,
sem pedir licença.
Surgem no silêncio de um pensamento,
na frase esquecida de um livro antigo,
na voz de alguém que nada sabia,
mas disse exatamente o que era preciso ouvir.
Às vezes vestem a forma de coincidência,
outras, de encontro inesperado,
como se a vida escrevesse bilhetes secretos
nas margens dos dias comuns.
Há sinais que não gritam.
Preferem sussurrar.
E justamente por isso surpreendem
quem já não esperava resposta alguma.
Uma palavra aparece,
uma lembrança retorna,
uma canção toca ao acaso,
e algo dentro de nós desperta.
Talvez o espírito conheça caminhos
que os olhos ainda não conseguem ver.
Talvez a esperança encontre atalhos
quando a razão se perde na estrada.
E então compreende-se, por um instante,
que nem tudo está distante ou ausente.
Há recados viajando pelo invisível,
atravessando o tempo e o silêncio.
Chegam quando menos se espera,
mas quase sempre quando mais se precisa.
E deixam, ao partir,
a delicada certeza
de que a vida conversa conosco
de maneiras que jamais imaginamos.
