Ninguém vê o trabalho das raízes
quando a tempestade chega sem aviso.
Os olhos contemplam apenas a chuva,
mas a terra guarda seus segredos.
Há dias feitos de nuvens pesadas,
de ventos que parecem não ter fim,
de caminhos cobertos de silêncio
e horizontes difíceis de encontrar.
Mas a chuva não cai em vão.
Ela alimenta sementes esquecidas,
fortalece troncos fatigados,
lava a poeira dos antigos medos
e prepara a estação dos recomeços.
Então, quando tudo parece perdido,
uma flor desperta entre as pedras,
outra surge à beira do caminho,
e mais uma colore o campo inteiro.
Quem vê a beleza do florescer
raramente imagina a força da tempestade
que veio antes.
As flores não negam a chuva;
são a prova de que sobreviveram a ela.
Por isso, quando os dias forem difíceis,
e o céu parecer distante demais,
lembra-te das flores que nascem depois da chuva.
São elas que ensinam, em silêncio,
que a vida encontra maneiras de florescer
mesmo após as noites mais longas,
mesmo após os ventos mais severos,
mesmo onde ninguém acreditava ser possível.
E talvez a mais bela das flores
seja justamente aquela
que nasceu depois da tempestade.
