Houve um tempo em que as asas
ainda eram apenas promessa,
e a vida seguia devagar,
presa aos limites do conhecido.
Nada parecia mudar.
Por fora, o mundo continuava o mesmo,
os caminhos eram familiares,
os dias repetiam seus gestos
como páginas de um livro antigo.
Mas, em silêncio,
algo acontecia.
Porque toda metamorfose começa invisível,
longe dos olhares apressados,
nas profundezas onde a alma trabalha
aquilo que o coração ainda não compreende.
É um tempo de espera,
de dúvidas,
de despedidas.
Um tempo em que antigas certezas caem
como folhas secas ao vento,
abrindo espaço para o que ainda vai nascer.
E então, um dia,
sem anunciar sua chegada,
a transformação se revela.
Não porque a vida tenha mudado,
mas porque mudou quem a observa.
As mesmas paisagens ganham novas cores,
os mesmos horizontes parecem maiores,
e aquilo que antes era prisão
torna-se impulso para voar.
Metamorfose não é deixar de ser.
É tornar-se.
É permitir que a melhor versão de si mesmo
encontre coragem para existir.
E assim, entre perdas e descobertas,
entre o fim de algumas estações
e o início de outras,
a vida segue seu trabalho paciente,
transformando lagartas em asas,
medos em sabedoria,
feridas em aprendizado,
e o passado em caminho.
Porque crescer é, muitas vezes,
a mais bela das metamorfoses.
