Há histórias que terminam muito antes do adeus.
Não porque falte convivência,
presença ou tempo compartilhado,
mas porque os sentimentos habitam lugares diferentes.
Às vezes, uma pessoa vê futuro,
enquanto a outra vê apenas o presente.
Uma constrói sonhos,
a outra apenas segue o caminho.
E assim nasce um desencontro silencioso,
capaz de durar anos.
Quando o fim chega,
a dor costuma procurar culpados.
Mas nem toda tristeza nasce da maldade,
da traição ou da mentira.
Muitas vezes, ela nasce da distância
entre aquilo que se desejava
e aquilo que realmente existia.
Nenhum afeto pode ser comprado.
Nenhuma dedicação garante reciprocidade.
Nenhum sonho compartilhado por apenas um coração
se transforma em realidade por força de vontade.
O tempo pode levar embora pessoas,
planos e expectativas.
Mas deixa também uma lição valiosa:
a de que o amor só floresce plenamente
quando encontra morada nos dois lados.
E talvez os lutos mais difíceis
não sejam aqueles pela perda de alguém,
mas pela despedida das histórias
que foram vividas mais na esperança
do que na realidade.
Porque aceitar a verdade dói.
Mas é ela que, aos poucos,
abre caminho para a paz.
