Há dores que parecem eternas.
Feridas que chegam sem aviso,
ausências que ecoam nos dias,
tristezas que fazem acreditar
que nada voltará a ser como antes.
Mas o tempo trabalha em silêncio.
Não apressa processos,
não exige respostas,
não cobra que o coração esqueça.
Apenas passa.
E, enquanto passa,
vai acomodando memórias,
suavizando arestas,
transformando tempestades em lembranças.
O que ontem era peso constante
torna-se aprendizado.
O que parecia impossível suportar
passa a ocupar um lugar mais sereno na alma.
Não porque a dor desapareça por completo,
mas porque a vida continua crescendo ao redor dela.
O tempo não apaga histórias.
Ele ensina a carregá-las de outra forma.
Como o mar que, pacientemente,
alisa as pedras mais ásperas,
ele transforma sem pressa,
sem ruído,
sem que muitas vezes se perceba.
E então chega um dia qualquer.
Um dia comum.
E percebe-se que a ferida já não governa os pensamentos,
que a saudade já não machuca da mesma maneira,
que o coração voltou a abrir espaço para a esperança.
Talvez essa seja a sua magia:
não a de fazer esquecer,
mas a de ensinar que é possível continuar,
florescer novamente
e encontrar beleza na vida, mesmo depois da dor.
Bia Mundal
