Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2

A mágica do tempo que cura

Há dores que parecem eternas.

Feridas que chegam sem aviso,
ausências que ecoam nos dias,
tristezas que fazem acreditar
que nada voltará a ser como antes.

Mas o tempo trabalha em silêncio.

Não apressa processos,
não exige respostas,
não cobra que o coração esqueça.

Apenas passa.

E, enquanto passa,
vai acomodando memórias,
suavizando arestas,
transformando tempestades em lembranças.

O que ontem era peso constante
torna-se aprendizado.

O que parecia impossível suportar
passa a ocupar um lugar mais sereno na alma.

Não porque a dor desapareça por completo,
mas porque a vida continua crescendo ao redor dela.

O tempo não apaga histórias.

Ele ensina a carregá-las de outra forma.

Como o mar que, pacientemente,
alisa as pedras mais ásperas,
ele transforma sem pressa,
sem ruído,
sem que muitas vezes se perceba.

E então chega um dia qualquer.

Um dia comum.

E percebe-se que a ferida já não governa os pensamentos,
que a saudade já não machuca da mesma maneira,
que o coração voltou a abrir espaço para a esperança.

Talvez essa seja a sua magia:

não a de fazer esquecer,

mas a de ensinar que é possível continuar,
florescer novamente
e encontrar beleza na vida, mesmo depois da dor.

Bia Mundal

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