Dizem que no Uaíma
moram pensamentos antigos,
mas eu desconfio
que moram também alguns grilos,
duas ou três nuvens distraídas
e um pardal filósofo
que comenta a vida pela janela.
Lá, um estrado de cama
vira tratado de sociologia,
uma xícara de café
ganha ares de metafísica,
e até a pressa,
quando entra correndo,
acaba sentando para refletir.
Não sei se o Uaíma
é blog, varanda ou floresta.
Só sei que quem entra
procurando respostas
costuma sair carregando perguntas
e, curiosamente,
mais feliz por isso.
Talvez seja esse o segredo:
enquanto o mundo corre,
o Uaíma observa.
Enquanto o mundo grita,
o Uaíma escuta.
E enquanto nós tentamos entender a vida,
ele vai anotando tudo,
como um colecionador de pensamentos
que conhece os atalhos do tempo,
mas prefere passear sem mapa.
Um abraço ao guardião do Uaíma,
esse lugar onde até as dúvidas
parecem ter endereço fixo.
