Há feridas que não sangram
apenas ecoam.
São marcas invisíveis deixadas por amores que não souberam amar.
Traumas que se instalam silenciosos,
como pequenas rachaduras na confiança,
como vozes que sussurram dúvida
mesmo quando tudo parece seguro outra vez.
O trauma afetivo é o medo de ser enganado de novo.
É o coração hesitando em acreditar no que o corpo deseja.
É a memória revivendo ausências como se fossem presenças.
É o olhar que aprende a desconfiar antes de enxergar.
Mas há algo sagrado nesse processo:
a consciência desperta.
Porque, aos poucos, o que era dor vira sabedoria.
O que era medo se transforma em discernimento.
E o que antes paralisava,
passa a proteger.
A cura não acontece quando se esquece
acontece quando se entende.
Quando se olha o próprio reflexo e reconhece:
“eu sobrevivi ao que tentei chamar de amor.”
E então, o coração aprende um novo idioma:
o da calma,
o da presença,
o do amor que não fere, não engana, não exige.
O trauma não é o fim do sentir.
É apenas o lembrete de que sentir é precioso demais
para ser entregue a quem não sabe cuidar.

Essa última frase diz tudo.
Lindo texto 😊
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Concordo. Belos versos.
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