Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras 2

A verdade tardia

Há dores que chegam depois do fim.

Não porque o amor ainda exista,

mas porque a verdade demorou para aparecer.

Descobrir uma mentira antiga é como viver um término que nunca aconteceu

um golpe que atravessa o tempo e fere o presente.

O corpo já seguiu, a vida já se refez,

mas a alma, ao tocar o engano, sangra outra vez.

Quando alguém escolhe ocultar a própria verdade,

transforma o outro em palco de uma história paralela.

E o que dói não é apenas a traição,

é perceber que o passado foi contado em voz falsa,

enquanto o coração acreditava em tudo.

A mentira, quando enfim revelada,

desfaz até as lembranças mais bonitas

não porque elas não tenham existido,

mas porque foram contaminadas pela omissão.

E no entanto, há uma força silenciosa em compreender:

que a verdade, ainda que tardia,

liberta o amor de ter pertencido à ilusão.

Porque o que foi verdadeiro em quem sentiu,

permanece limpo, mesmo diante da mentira.

O que morre não é o amor,

é o engano que o vestia.

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