Há dores que chegam depois do fim.
Não porque o amor ainda exista,
mas porque a verdade demorou para aparecer.
Descobrir uma mentira antiga é como viver um término que nunca aconteceu
um golpe que atravessa o tempo e fere o presente.
O corpo já seguiu, a vida já se refez,
mas a alma, ao tocar o engano, sangra outra vez.
Quando alguém escolhe ocultar a própria verdade,
transforma o outro em palco de uma história paralela.
E o que dói não é apenas a traição,
é perceber que o passado foi contado em voz falsa,
enquanto o coração acreditava em tudo.
A mentira, quando enfim revelada,
desfaz até as lembranças mais bonitas
não porque elas não tenham existido,
mas porque foram contaminadas pela omissão.
E no entanto, há uma força silenciosa em compreender:
que a verdade, ainda que tardia,
liberta o amor de ter pertencido à ilusão.
Porque o que foi verdadeiro em quem sentiu,
permanece limpo, mesmo diante da mentira.
O que morre não é o amor,
é o engano que o vestia.
