Há palavras que não sabem parar,
que atravessam horas
sem perceber o cansaço do outro.
O silêncio, que poderia ser cuidado,
transforma-se em ausência de respeito.
Não é apenas a quantidade de frases,
mas o peso que carregam,
o modo como invadem
sem deixar espaço para respirar.
E assim, a noite se alonga,
o coração se aperta,
e o descanso se perde
na enxurrada de vozes que não cessam.
O que resta é a certeza suave:
onde não há medida,
onde não há escuta,
não pode florescer confiança.
