Ninguém chega inteiro,
sem marcas, sem sombras, sem cicatrizes.
A pessoa não vem pronta,
ela vem disposta.
Disposta a tentar compreender os silêncios,
a dançar no compasso do inesperado,
a descobrir que o amor não se mede em perfeição,
mas em disponibilidade.
O coração não pede acabamentos,
pede presença.
Pede alguém que não saiba todas as respostas,
mas que esteja ali,
quando a pergunta se torna peso.
Não se ama por encontrar um ser completo,
mas por encontrar alguém
que aceite caminhar incompleto,
abrindo espaço para ser mais,
para ser junto.
A vida não nos entrega pessoas prontas,
ela nos dá encontros.
E são esses encontros,
cheios de imperfeições e tentativas,
que se transformam em abrigo.
Porque o que sustenta não é a ausência de falhas,
mas a coragem de permanecer,
mesmo quando tudo ainda está em construção.
