Há dores que não gritam.
Elas apenas se instalam
como uma sombra constante,
como um sussurro que repete, dia após dia:
“você não é suficiente.”
A dor de não se sentir bom o bastante
não vem de um lugar só.
Ela nasce das comparações silenciosas,
das exigências desmedidas,
dos afetos condicionais que nos fizeram acreditar
que precisávamos ser algo diferente
para sermos amados de verdade.
Então a gente vai se moldando.
Esconde o que sente.
Filtra o que mostra.
E aprende, sem perceber,
a nunca se mostrar por inteiro.
Por medo de não caber.
Por medo de ser demais.
Por medo de não ser o suficiente.
Mas essa dor que vive calada,
um dia começa a pesar.
Porque nenhuma máscara dura para sempre.
Porque nenhum amor vale a dor de se abandonar.
E talvez o começo da cura
seja olhar para si com mais ternura
do que o mundo foi capaz de oferecer.
Reconhecer que há beleza nas imperfeições,
e valor até nas partes que ainda doem.
Você não precisa ser outra pessoa
para merecer amor.
Não precisa ser versão editada de si
para pertencer.
Você já é.
E isso já é tanto.
E ser você — sem performance — já é um ato de amor-próprio.
