Há dias em que o corpo continua,
mas o coração só quer desaparecer por um instante.
Ir para um lugar onde a dor não alcança,
onde o silêncio acolhe,
onde perder não seja tão pesado.
Um refúgio onde não seja preciso despedir-se de nada,
nem deixar nada para trás.
Mas a verdade é outra
não existe caminho de paz sem alguma forma de partida.
Toda travessia carrega um pedaço de adeus.
Mesmo quando silenciosa.
Mesmo quando necessária.
E talvez crescer seja isso:
aceitar que algumas perdas caminham com a gente,
e mesmo assim… continuar.
Não ileso, mas com mais escuta.
Mais presença no que ainda pulsa.
Porque nem sempre é possível escapar da dor.
Mas é possível atravessá-la com respeito,
até que o peito volte a respirar com calma,
e o coração encontre, dentro do próprio cansaço,
um jeito de recomeçar.
