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As faces da sutileza

A sutileza tem muitas formas

e nem todas são leves.

Há a que acolhe:

o cuidado que não se impõe,

a presença que não exige,

a palavra que chega no tempo certo,

como quem toca sem apertar.

Mas há também a sutileza que fere:

o silêncio que nega,

o olhar que despreza sem dizer,

a ausência disfarçada de “discrição”.

Certas dores não gritam — mas marcam.

Ser sutil é uma arte.

E como toda arte,

pode ser usada com beleza ou com indiferença.

Por isso, é preciso escutar o que não foi dito,

sentir o que ficou no ar,

e reconhecer que nem tudo o que é suave é gentil

às vezes, é só uma maneira elegante de se afastar.

A sutileza, quando verdadeira, é gesto de alma.

Mas quando usada como escudo,

pode virar distância com perfume de delicadeza.

2 comentários em “As faces da sutileza”

    1. “Sinais ativos” — que expressão linda e precisa. Tão verdade: há gestos quase invisíveis que falam muito, mesmo quando a gente não percebe de imediato.
      Obrigada por ler com essa sensibilidade que alcança a essência do texto. ✨

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