Há paredes dentro da alma
que ninguém consegue ver,
erguidas em silêncio
com tudo o que tivemos de esconder.
São feitas de lembranças,
de lágrimas e solidão,
de palavras nunca ditas,
guardadas no coração.
Algumas têm janelas
por onde entra a esperança,
outras permanecem fechadas
por medo de uma nova mudança.
Há paredes que o tempo constrói,
pedra sobre pedra, devagar,
para proteger aquilo que dói
e que ainda não sabemos curar.
Mas um dia chega o vento,
leve, quase sem avisar,
e encontra uma pequena brecha
por onde a luz pode entrar.
Então percebemos, em silêncio,
que não precisamos esquecer;
algumas paredes existem
para nos ensinar a viver.
E quando a alma se permite
derrubar aquilo que a prendeu,
descobre que por trás das paredes
ainda existe alguém que não morreu.
Alguém que sonha,
que sente, que quer recomeçar,
que mesmo depois de tantas feridas
ainda escolhe amar.
Porque a alma não é uma prisão,
nem precisa viver escondida.
Às vezes, basta abrir uma porta
para voltar a encontrar a vida.
