Reflexões Sociais e Existenciais

Quando já terminou

Às vezes,
falta coragem
para dar ponto final
ao que, por dentro,
já chegou ao fim.

Não é exatamente tristeza,
nem sempre é esperança.
É apenas o coração
demorando um pouco
mais que a realidade.

Algumas histórias
continuam abertas
por causa das lembranças,
dos dias que foram bonitos,
das palavras que um dia
fizeram sentido.

E talvez por isso
se permaneça um pouco mais,
olhando para as páginas antigas,
procurando nelas
alguma razão para continuar.

Mas há finais
que não chegam de repente.

Eles aparecem aos poucos,
no silêncio entre duas pessoas,
na distância que cresce devagar,
naquilo que já não floresce
mesmo quando ainda recebe cuidado.

E existe uma delicadeza
em reconhecer isso.

Nem tudo precisa terminar
com mágoas,
com grandes despedidas
ou com palavras definitivas.

Algumas coisas
simplesmente deixam de ser.

E, quando chega o momento
de fechar a última página,
talvez não seja preciso
ter todas as respostas.

Basta aceitar
que aquilo que foi vivido
teve o seu tempo.

Guardar o que foi bonito,
deixar ir o que já não cabe
e permitir que o silêncio
abra espaço para o novo.

Porque dar um ponto final
nem sempre significa
apagar uma história.

Às vezes,
significa apenas
parar de esperar
que ela volte a ser
o que um dia foi.

E seguir.

Devagar,
com leveza,
sem pressa de escrever
a próxima página.

A vida saberá
quando começar.

Comentário também é uma forma de abraço: